Raciocínio abdutivo, indutivo e dedutivo

por | 25 agosto 2017

Entenda como funciona o raciocínio abdutivo, raciocínio indutivo e o raciocínio dedutivo. Pois a criatividade vem da maneira de pensar e não do acaso misterioso.

O objetivo desse post é apresentar uma escrita a qual qualquer pessoa consiga compreender, embora seja um assunto complicado, evitarei usar os termos técnicos ou científicos. Procurei resumi de forma prática e objetiva, os 3 modos de raciocinar e de produzir conhecimentos. Eles são o raciocínio Dedutivo (Deduz), Indutivo (Induz) e Abdutivo (Abduz).

Antes de começar esse post, acho interessante lembrar a diferença entre raciocínio e pensamento, porque eles são dois processos diferentes. Pensar engloba toda a produção de pensamento que pode ser consciente ou inconsciente. Já o raciocínio é limitado apenas à produção de pensamento consciente, como por exemplo, a utilização da lógica. Já o pensamento nem sempre é lógico e nem sempre é consciente. Caso não tenha entendido muito bem, recomendo que leia meu outro post explicando melhor essa diferença.

O raciocínio dedutivo é o mais importante, porque é a única lógica que alcança a verdade. Entretanto, no mundo nem tudo pode ser deduzido ou considerado verdade absoluta, quando falamos da complexidade humana, da natureza, dos sentimentos, do psicológico, da mente, do social, da cultura, da arte, etc..

A dedução está relacionada ao pensamento analítico, também conhecido como pensamento convergente. Que é o pensamento que busca analisar várias informações em busca de convergir em direção a um único resultado. Do geral para o específico. Este raciocínio está relacionado ao viés da confiabilidade, porque acredita na estabilidade futura e acredita que podemos prevê o futuro com base no passado. É muito importante notar que o raciocínio dedutivo está relacionado a concluir algo a partir de informações que já existem, portanto a dedução não produz conhecimentos novos.

O raciocínio indutivo é o processo inverso do dedutivo, parte do específico para o geral, embora também não produza novos conhecimentos, a indução procura induzir o conhecimento já existente à uma validação através de uma experimentação, está relacionado ao método empírico que significa obter conhecimento através dos 5 sentidos, que é a experimentação e a observação, que tem como resultado uma possibilidade de ser verdade.

A indução está relacionada ao pensamento sintético, também conhecido como pensamento divergente, por ser um pensamento que vai do específico para o geral. Ele também está relacionado ao pensamento intuitivo, que tenta prevê o futuro com base em suas experiências, por isso não produz conhecimentos novos. Este raciocínio está relacionado ao viés da validez, porque sempre busca validar informações que já possui.

Já o raciocínio abdutivo atua entre os dois extremos anteriores, o que sempre busca 100% de confiabilidade e o que busca 100% de validez. Este meio termo se trata pela utilização de características de ambos, para concluir a melhor explicação de algo. Vale notar que melhor explicação é diferente de maior probabilidade, a abdução possui caráter explicativo e intuitivo, procura concluir a melhor explicação, também utilizando o seu conhecimento de fundo (repertório de conhecimento) e não a melhor probabilidade matemática. O raciocínio abdutivo é ampliativo, ele busca a validez assim como a indução e busca a melhor explicação possível assim como a dedução busca a verdade. O interessante é que a Abdução é o único raciocínio que produz a criatividade e a inovação, por ser a única lógica que introduz uma nova ideia.

Ao entender a Falácia indutiva, que consiste em concluir a validez da confiabilidade, percebemos que não é possível prevê o futuro apenas olhando para o passado, sem ter como validar o futuro até que ele chegue. Logo, a abdução busca a validez, ao contrário de quem busca a confiabilidade, trata os sucessos do passado como hipóteses a serem cuidadosamente testadas antes de usá-las para gerar previsões que se esperam ser válidas.

Com isso, o raciocínio abdutivo não resulta em verdades absolutas que são inquestionáveis, muito pelo contrário, busca novas ideias e conhecimentos que possam validar algo. Ele não prova que algo é de algum jeito, apenas diz que é mais provável que seja e busca a melhor explicação para isso. Ele também é o único que projeta futuro, sem se prender ao passado, é o único procedimento racional de aquisição de conhecimento enquanto o indutivo e o dedutivo servem para verificar ou comprovar a verdade de um conhecimento já adquirido.

Então, concluímos que o raciocínio abdutivo é um processo constante de aperfeiçoamento contínuo que busca balancear esses dois lados e tem como objetivo mostrar a melhor explicação de algo. É o tipo de raciocínio e pensamento que, além dos designers, todos deveriam adotar com mais frequência e com consciência, tendo em mente que nem tudo podemos provar.

O exemplo dos feijões dado por Charles Sanders Peirce, ajuda a compreender melhor essa questão:

1 – Todos os feijões daquela saca são brancos. Esses feijões são daquela saca. Logo, esses feijões são brancos (dedução).

2 – Esses feijões são daquela saca. Esses feijões são brancos. Logo, todos os feijões daquela saca são brancos (indução).

3 – Todos os feijões daquela saca são brancos. Esses feijões são brancos. Logo, esses feijões são daquela saca (abdução).

O interessante é que todos nós utilizamos o raciocínio abdutivo no nosso dia a dia. Para ilustrar melhor, vou dar alguns exemplos, logo abaixo:

Quando você vê algumas pegadas normais de uma pessoa na areia da praia, a sua melhor conclusão é que essas pegadas são de uma pessoa normal andando sobre a areia e não de duas pessoas abraçadas cada uma pisando com apenas um pé. Essa conclusão é uma abdução e não uma dedução, porque torna inviável a comprovação e estudo detalhado para chegar a uma conclusão, então nós utilizamos a que é mais provável.

Entendeu? Eu sei que sim, mas vou te dar mais dois exemplos de abdução que usamos no nosso dia a dia:

Quando você olha para o telhado da casa do seu vizinho, com um campo de visão limitado apenas a uma pequena parte do telhado, e percebe que o telhado está molhado, e com isso, conclui que ontem à noite choveu. Você está usando a abdução para chegar a melhor explicação desse fato, mas alguém poderia ter molhado o telhado do seu vizinho.

Outro exemplo é você, de manhã ao acordar e ir para a cozinha, se depara com uma louça suja na pia, você conclui que algum habitante da casa fez um lanche de madrugada. Mas poderia ter sido um ladrão que ao roubar a sua casa aproveitou para fazer um lanche. Por mais que essa não seja uma explicação plausível ela é possível. Mas sem dúvidas a melhor explicação é a abdução feita anteriormente.

Após esse super resumo, é claro que terá um post sobre Design Thinking que utiliza a lógica abdutiva, a qual você acabou de ler, vejo você lá. Clique no link, Design Thinking: Inovação em Negócios.

 

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